REVISTA FACULDADE FAMEN | REFFEN | ISSN 2675-0589
https://revistafamen.com.br/index.php/revistafamen
<p>REVISTA FACULDADE FAMEN | REFFEN | ISSN 2675-0589</p> <p>A <strong>REVISTA FACULDADE FAMEN - REFFEN </strong>se insere no repertório de periódicos científicos que possuem política de acesso livre a todo o seu conteúdo. Segue o critério de disponibilidade gratuita do processo intectual dos autores, em formato científico, colaborando com a democratização universal do conhecimento.</p>Editora FAMENpt-BRREVISTA FACULDADE FAMEN | REFFEN | ISSN 2675-05892675-0589Editorial - Ano7Vol7N2 - Dossiê - Educação territorializada no semiárido: saberes ancestrais, justiça climática e resistências decoloniais
https://revistafamen.com.br/index.php/revistafamen/article/view/254
<p>Revista Faculdade FAMEN - REFFEN</p>Revista Faculdade FAMEN - REFFEN
Copyright (c) 2026 REVISTA FACULDADE FAMEN | REFFEN | ISSN 2675-0589
2026-06-052026-06-0572Educação, território e justiça no Semiárido Brasileiro:
https://revistafamen.com.br/index.php/revistafamen/article/view/230
<p>Este artigo introdutório apresenta os fundamentos epistemológicos, pedagógicos e político-territoriais que sustentam o dossiê temático “Educação, Território e Justiça: Pedagogias da Resistência e Epistemologias da Convivência no Semiárido Brasileiro”. Por meio de revisão integrativa da literatura, realizada entre outubro de 2025 e abril de 2026, foram triados 1.847 registros nas bases SciELO, LILACS, ERIC, Scopus e Google Scholar Acadêmico, resultando em corpus final de 27 estudos. O objetivo foi mapear e articular os eixos conceituais de colonialidade curricular, pedagogia territorial, justiça climática e epistemologias do Sul que atravessam os doze artigos do dossiê. Os resultados demonstram que a produção acadêmica sobre educação nos Semiáridos opera em tensão permanente entre a herança colonial dos currículos hegemônicos e as práticas pedagógicas de convivência enraizadas nos saberes sertanejos. Identificam-se quatro eixos estruturantes: colonialidade e resistência biocultural; território, ecologia e conhecimento ancestral; justiça, clima e subjetividade; e tecnologia, gênero e permanência escolar. Conclui-se que o Semiárido constitui não apenas um locus geográfico, mas um campo epistemológico em disputa, onde pedagogias da resistência e epistemologias da convivência emergem como resposta crítica à colonialidade do saber e do poder.</p> <p><strong>Palavras-chave:</strong> Semiárido brasileiro; Educação do campo; colonialidade; convivência; epistemologias do Sul.</p>Paulo Roberto RamosAntonio Pereira FilhoSidclay Cordeiro Pereira
Copyright (c) 2026 REVISTA FACULDADE FAMEN | REFFEN | ISSN 2675-0589
2026-06-032026-06-037211710.36470/famen.2026.r7a09Colonialidade curricular e resistência biocultural na Caatinga:
https://revistafamen.com.br/index.php/revistafamen/article/view/231
<p>O artigo analisa as tensões entre a Base Nacional Comum Curricular e a Educação do Campo no contexto da Caatinga, problematizando os efeitos da padronização curricular sobre territorialidades camponesas, saberes ecológicos e práticas pedagógicas contextualizadas no semiárido brasileiro. Parte-se da hipótese de que a implementação de currículos homogêneos pode reforçar processos de colonialidade curricular, subordinando epistemologias locais a uma racionalidade escolar universalizante. O objetivo do estudo foi analisar como a literatura científica caracteriza as tensões entre a Base Nacional Comum Curricular e a Educação do Campo, com ênfase nos processos de apagamento territorial, resistência pedagógica e produção de saberes bioculturais na Caatinga. Metodologicamente, trata-se de uma revisão integrativa da literatura, organizada por lógica procedimental inspirada no modelo PRISMA. A pesquisa bibliográfica foi realizada entre outubro de 2025 e abril de 2026, resultando na identificação inicial de 810 referências, das quais 26 compuseram o corpus final da revisão. Os resultados indicam que a Base Nacional Comum Curricular pode produzir efeitos de homogeneização quando implementada sem mediações territoriais, enquanto a Educação do Campo emerge como projeto político-pedagógico de resistência. A análise também evidenciou que a Caatinga deve ser compreendida como território epistemológico e biocultural, e não apenas como recorte ambiental. Como principal contribuição teórica, o artigo propõe a categoria Resistência Biocultural, definida como prática curricular que articula defesa do bioma, preservação da identidade camponesa e valorização dos saberes territoriais. Conclui-se que a justiça curricular depende do reconhecimento da pluralidade epistemológica dos territórios do semiárido.</p> <p><strong>Palavras-chave:</strong> Decolonialidade; territorialidade; epistemicídio; currículo vivido; justiça territorial.</p>Michael Douglas Alves dos SantosPedro Paulo da CunhaCícera Jussimara da Silva OliveiraEliana Silva Gomes Moura
Copyright (c) 2026 REVISTA FACULDADE FAMEN | REFFEN | ISSN 2675-0589
2026-06-032026-06-0372186610.36470/famen.2026.r7a10Pedagogia territorial do cuidado no semiárido brasileiro:
https://revistafamen.com.br/index.php/revistafamen/article/view/232
<p>As endemias e doenças negligenciadas persistem como importantes desafios sanitários no semiárido brasileiro, especialmente em territórios marcados por pobreza, escassez hídrica, precariedade do saneamento e vulnerabilidade socioambiental. Nesse contexto, a articulação entre educação e saúde assume papel estratégico, embora frequentemente permaneça limitada a práticas preventivistas e biomédicas pouco conectadas às realidades territoriais das comunidades vulneráveis. O presente estudo teve como objetivo analisar criticamente como a literatura científica brasileira aborda a intersetorialidade entre educação e saúde no enfrentamento das endemias no semiárido. Trata-se de uma revisão integrativa, de abordagem qualitativa e natureza crítico-interpretativa, realizada entre novembro de 2025 e abril de 2026 nas bases PubMed, SciELO, LILACS, BVS e Educ@. A busca inicial identificou 927 referências, submetidas a procedimentos de triagem, elegibilidade e análise temática, resultando em um corpus final de 22 referências. Os resultados evidenciaram forte relação entre territorialização das doenças, desigualdade social e mudanças climáticas, além da permanência de práticas educativas verticalizadas centradas na responsabilização individual. Em contrapartida, alguns estudos apontaram experiências participativas e territorializadas, capazes de integrar saúde, ambiente, escola e comunidade. A discussão permitiu propor a categoria “Pedagogia Territorial do Cuidado”, compreendida como abordagem crítica voltada à construção da resiliência sanitária comunitária em contextos de vulnerabilidade. Conclui-se que o enfrentamento das endemias no semiárido exige políticas públicas integradas, territorializadas e comprometidas com práticas emancipatórias de cuidado.</p> <p><strong>Palavras-chave:</strong> Determinação social; resiliência sanitária; intersetorialidade; doenças negligenciadas; Semiárido.</p>Carla Valois RibeiroRodrigo Almeida FerreiraElisangela Maria do Nascimento CostaPedro Paulo da Cunha
Copyright (c) 2026 REVISTA FACULDADE FAMEN | REFFEN | ISSN 2675-0589
2026-06-032026-06-03726713410.36470/famen.2026.r7a11Mobile learning e permanência escolar no Semiárido:
https://revistafamen.com.br/index.php/revistafamen/article/view/233
<p>A permanência escolar em territórios rurais e semiáridos permanece atravessada por desigualdades sociotécnicas, mobilidade sazonal e fragilidades infraestruturais que dificultam a continuidade educacional de populações vulneráveis. Nesse contexto, o mobile learning mediado por aplicativos leves tem emergido como alternativa de sustentação pedagógica em cenários marcados por exclusão digital e dispersão territorial. O objetivo deste artigo foi analisar de que maneira o WhatsApp vem sendo utilizado como ecossistema de mediação pedagógica e continuidade escolar em contextos vulneráveis, propondo o conceito de território educativo transiente. Metodologicamente, desenvolveu-se uma revisão integrativa de natureza qualitativa e abordagem analítico interpretativa, realizada entre outubro de 2025 e abril de 2026 em bases internacionais. Inicialmente, foram identificadas 864 referências, das quais resultou um corpus final composto por 29 estudos. Os resultados evidenciaram que o WhatsApp favorece flexibilização espaço temporal da aprendizagem, fortalecimento do vínculo pedagógico, ampliação da acessibilidade digital e sustentação de práticas educativas contínuas em territórios periféricos. As análises também revelaram que aplicativos leves apresentam maior capacidade de adaptação às limitações infraestruturais de regiões vulneráveis do que plataformas digitais complexas e altamente dependentes de conectividade robusta. A discussão permitiu compreender que o mobile learning ultrapassa a dimensão instrumental da tecnologia e passa a reorganizar territorialidades educativas contemporâneas. Conclui-se que o WhatsApp opera como território educativo transiente, capaz de sustentar permanência escolar, mediação ubíqua e continuidade pedagógica em contextos de vulnerabilidade socioterritorial.</p> <p><strong>Palavras-chave:</strong> Aprendizagem ubíqua; inclusão sociotécnica; Educação rural; mediação digital; vulnerabilidade territorial.</p>Jeová Rodrigues SilvaRodrigo Almeida FerreiraValdemir Pereira da SilvaLucimara Silva Torres Santos
Copyright (c) 2026 REVISTA FACULDADE FAMEN | REFFEN | ISSN 2675-0589
2026-06-032026-06-03729313410.36470/famen.2026.r7a12Políticas de EJA no Semiárido:
https://revistafamen.com.br/index.php/revistafamen/article/view/234
<p>O artigo analisa as políticas de Educação de Jovens e Adultos no Semiárido brasileiro a partir das tensões entre alfabetização funcional, territorialidade e emancipação produtiva. Parte-se do problema de que grande parte das políticas de EJA continua subordinada a racionalidades urbanocêntricas e produtivistas, desconsiderando especificidades socioterritoriais, ecológicas e culturais das populações rurais. O objetivo consistiu em investigar como a literatura científica recente tem discutido a relação entre escolarização, permanência territorial e desenvolvimento no contexto semiárido. Metodologicamente, realizou-se uma Revisão Integrativa de Literatura desenvolvida entre novembro de 2025 e abril de 2026, utilizando bases nacionais e internacionais. Inicialmente, foram identificadas 738 referências, posteriormente submetidas a procedimentos de triagem, elegibilidade e refinamento analítico, resultando em um corpus final composto por 23 estudos. Os resultados evidenciaram predominância de políticas educacionais orientadas pela lógica da empregabilidade, da certificação funcional e da adaptação econômica, frequentemente associadas a currículos urbanos e descontextualizados. Em contrapartida, os estudos também revelaram experiências emancipatórias vinculadas à Educação do Campo, à agroecologia, à educação popular e aos movimentos sociais rurais. A discussão demonstrou que a EJA no Semiárido constitui campo de disputa política e epistemológica entre modelos de escolarização funcional e propostas territorializadas de formação crítica. Conclui-se que a superação da urbanização pedagógica exige políticas de EJA comprometidas com territorialização curricular, sustentabilidade, soberania alimentar e permanência produtiva no campo.</p> <p><strong>Palavras-chave:</strong> Territorialidade; agroecologia; Educação do campo; soberania alimentar; desenvolvimento territorial.</p>Francisca Aline de Oliveira TorresEdmo Henrique Martins CavalcanteRegina Andrade SilvaPedro Paulo da Cunha
Copyright (c) 2026 REVISTA FACULDADE FAMEN | REFFEN | ISSN 2675-0589
2026-06-032026-06-037213517510.36470/famen.2026.r7a13Resiliência alimentar no Semiárido:
https://revistafamen.com.br/index.php/revistafamen/article/view/235
<p>A intensificação das mudanças climáticas tem ampliado a vulnerabilidade alimentar das populações rurais do semiárido brasileiro, especialmente em territórios marcados por insegurança hídrica, fragilidade produtiva e desigualdades socioambientais históricas. Nesse contexto, a escola rural emerge como espaço estratégico de articulação entre alimentação escolar, agricultura familiar, tecnologias sociais e adaptação territorial. O presente estudo teve como objetivo analisar criticamente como a produção científica caracteriza a escola rural enquanto núcleo de segurança alimentar e vetor de tecnologias sociais frente à vulnerabilidade climática da Caatinga. Trata-se de uma revisão integrativa de abordagem qualitativa, realizada entre outubro de 2025 e abril de 2026, a partir de buscas nas bases Web of Science, Scopus, PubMed, SciELO, LILACS e Portal CAPES. Inicialmente, foram identificadas 1.125 referências, das quais resultou um corpus final fechado composto por 29 trabalhos selecionados após procedimentos de triagem, elegibilidade e análise crítica. Os resultados evidenciaram que a escola rural ultrapassa sua função pedagógica convencional e passa a operar como infraestrutura sociotécnica de resiliência territorial, articulando segurança alimentar, circulação de conhecimentos ecológicos, tecnologias sociais e fortalecimento comunitário. A discussão demonstrou que políticas alimentares fragmentadas apresentam capacidade limitada diante da complexidade territorial da Caatinga, exigindo integração entre segurança hídrica, agroecologia, educação contextualizada e adaptação climática. Conclui-se que a escola rural constitui elemento estratégico para construção da soberania alimentar e da resiliência climática no semiárido brasileiro.</p> <p><strong>Palavras-chave:</strong> Agroecologia; convivência climática; Educação do campo; segurança hídrica; soberania alimentar.</p>Edmo Henrique Martins CavalcantePedro Paulo da CunhaFrancimaria Batista MirandaLucimara Silva Torres Santos
Copyright (c) 2026 REVISTA FACULDADE FAMEN | REFFEN | ISSN 2675-0589
2026-06-032026-06-037217621810.36470/famen.2026.r7a14Justiça digital e o “hiato de permanência”:
https://revistafamen.com.br/index.php/revistafamen/article/view/236
<p>A exclusão conectiva em áreas rurais da Caatinga brasileira tornou-se um dos principais desafios contemporâneos para a cidadania digital, a permanência educacional e o desenvolvimento territorial no semiárido. Embora o avanço das tecnologias digitais tenha ampliado a centralidade da conectividade na vida social, persistem desigualdades infraestruturais que mantêm populações rurais parcialmente excluídas das redes de informação, serviços e oportunidades. Este estudo teve como objetivo analisar como as barreiras estruturais de conectividade na Caatinga se relacionam à marginalização territorial e à fragilização da cidadania conectiva. Metodologicamente, desenvolveu-se uma revisão integrativa de literatura, realizada entre outubro de 2025 e abril de 2026, em bases nacionais e internacionais. Inicialmente, foram identificadas 720 referências, submetidas a procedimentos de triagem, elegibilidade e análise temática, resultando em um corpus final fechado de 23 estudos. Os resultados evidenciaram que a precariedade conectiva no semiárido está associada à concentração territorial dos investimentos, à insuficiência das políticas públicas universalizantes, às limitações do capital cultural digital e à sobreposição entre vulnerabilidade social e exclusão infraestrutural. A discussão permitiu consolidar os conceitos de “vazio conectivo”, “assimetria geográfica” e “hiato de permanência” como categorias analíticas capazes de explicar como a ausência de conectividade compromete projetos de vida, permanência territorial e participação cidadã das juventudes rurais. Conclui-se que a inclusão digital no semiárido exige políticas territorializadas, articuladas às especificidades sociotécnicas da Caatinga e orientadas pela perspectiva da justiça territorial.</p> <p><strong>Palavras-chave:</strong> Ruralidades; necropolítica tecnológica; infraestrutura digital; Semiárido; permanência territorial.</p>Rodrigo Almeida FerreiraPedro Paulo da CunhaFernando Pereira CoelhoCláudio Alberto de Sá Quirino
Copyright (c) 2026 REVISTA FACULDADE FAMEN | REFFEN | ISSN 2675-0589
2026-06-032026-06-037221925110.36470/famen.2026.r7a15A Caatinga como ecologia pedagógica:
https://revistafamen.com.br/index.php/revistafamen/article/view/237
<p>A educação escolar indígena no semiárido brasileiro constitui um campo de disputa epistemológica marcado por tensões entre currículos estatais universalizantes e formas indígenas de produção do conhecimento. Nesse contexto, a persistência da colonialidade curricular contribui para o silenciamento de cosmologias territorializadas e para a deslegitimação de racionalidades ancestrais vinculadas à Caatinga. O presente estudo objetivou analisar como as produções científicas sobre educação indígena no semiárido brasileiro configuram epistemologias de resistência e tensionam os modelos pedagógicos ocidentais a partir de currículos diferenciados. Metodologicamente, desenvolveu-se uma revisão integrativa de abordagem qualitativa, realizada entre outubro de 2025 e abril de 2026, em bases nacionais e internacionais. A busca inicial identificou 495 referências, submetidas a procedimentos de triagem, leitura analítica e categorização epistemológica, resultando em um corpus final composto por 29 referências. Os resultados evidenciaram crescimento das pesquisas sobre educação indígena articuladas às categorias território, interculturalidade crítica, currículo-território e ecologia de saberes, embora persistam lacunas relacionadas à invisibilização de diversos povos indígenas do semiárido. Observou-se ainda que as experiências curriculares analisadas desafiam o universalismo pedagógico moderno ao integrar ancestralidade, oralidade, territorialidade e espiritualidade nos processos educativos. A discussão revelou que a Caatinga opera como ecologia pedagógica viva, na qual aprendizagem, memória coletiva e resistência epistemológica permanecem inseparáveis. Conclui-se que as pedagogias indígenas do semiárido oferecem importantes contribuições para a reconstrução crítica da educação brasileira, especialmente no fortalecimento da justiça cognitiva e da pluralidade epistemológica.</p> <p><strong>Palavras-chave:</strong> Justiça cognitiva; interculturalidade crítica; territorialidade; ancestralidade; decolonialidade.</p>Pedro Paulo da CunhaFrancisca Aline de Oliveira TorresCícera Jussimara da Silva OliveiraRoberta Alencar França Queiroz
Copyright (c) 2026 REVISTA FACULDADE FAMEN | REFFEN | ISSN 2675-0589
2026-06-032026-06-037225228010.36470/famen.2026.r7a16Clima e afeto:
https://revistafamen.com.br/index.php/revistafamen/article/view/238
<p>A intensificação da emergência climática tem produzido impactos que ultrapassam dimensões ambientais e econômicas, alcançando a saúde mental, os vínculos territoriais e as experiências educacionais de crianças, adolescentes e jovens. No semiárido brasileiro, marcado por vulnerabilidade hídrica histórica e desigualdades socioambientais persistentes, tais efeitos tornam-se ainda mais severos, especialmente diante do racismo ambiental e dos deslocamentos associados à seca. O presente estudo objetivou analisar de que maneira a emergência climática e o êxodo forçado impactam o sofrimento psicossocial discente, bem como compreender como as instituições escolares têm respondido aos traumas decorrentes da insegurança hídrica e da precarização territorial. Metodologicamente, desenvolveu-se uma Revisão Integrativa de Literatura realizada entre outubro de 2025 e maio de 2026 em cinco bases indexadoras internacionais e latino-americanas. A busca inicial identificou 459 referências, submetidas a procedimentos de triagem, elegibilidade e análise crítica, culminando na composição de um corpus fechado de 29 referências. Os resultados evidenciaram crescimento recente das pesquisas sobre ecoansiedade e sofrimento climático juvenil, além da predominância de estudos desenvolvidos no Norte Global. Também foram identificadas relações entre insegurança hídrica, sofrimento emocional, migração climática, precarização escolar e invisibilização institucional do trauma climático. A discussão demonstrou que a crise climática opera como experiência territorialmente desigual, produzindo formas específicas de sofrimento em estudantes residentes em contextos semiáridos. Conclui-se que o enfrentamento da emergência climática exige abordagens educacionais ecossensíveis, justiça hídrica escolar e políticas de proteção psicossocial capazes de reconhecer a dimensão afetiva e territorial do sofrimento climático juvenil.</p> <p><strong>Palavras-chave:</strong> Racismo ambiental; solastalgia; justiça climática; saúde mental escolar; territorialidade.</p>Rodrigo Almeida FerreiraPedro Paulo da CunhaMaria Eliete Ribeiro de AraújoDébora Cíntia Oliveira da Silva
Copyright (c) 2026 REVISTA FACULDADE FAMEN | REFFEN | ISSN 2675-0589
2026-06-032026-06-037228131610.36470/famen.2026.r7a17Gênero, terra e saber:
https://revistafamen.com.br/index.php/revistafamen/article/view/239
<p>Este artigo analisa como as intersecções entre gênero, trabalho, educação e território moldam as trajetórias das mulheres rurais no Semiárido brasileiro, problematizando as permanências patriarcais que estruturam o acesso à terra, à água, à produção e ao reconhecimento social do trabalho feminino. O objetivo central consiste em compreender de que maneira processos educativos formais e, sobretudo, não-formais contribuem para a construção da autonomia socioterritorial feminina na Caatinga. Metodologicamente, realizou-se uma Revisão Integrativa da Literatura, conduzida segundo protocolo sistemático de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão. A busca bibliográfica ocorreu entre dezembro de 2025 e maio de 2026 nas bases Scopus, Web of Science, SciELO Citation Index e Dialnet, resultando inicialmente em 1.170 referências. Após os procedimentos de seleção e refinamento analítico, consolidou-se um corpus fechado de 29 referências científicas. Os resultados demonstram que experiências de educação territorializada, aprendizagem horizontal, agroecologia feminista e organização comunitária possuem elevado potencial de enfrentamento das desigualdades patriarcais no Semiárido. Observou-se que mulheres rurais desempenham funções centrais na adaptação climática, na conservação da biodiversidade, na segurança alimentar e na produção de conhecimentos ecológicos territorializados. A discussão evidenciou limites das políticas públicas convencionais e problematizou modelos desenvolvimentistas dissociados das realidades socioterritoriais da Caatinga. Conclui-se que a agroecologia feminista e a educação não-formal constituem mecanismos estratégicos de reorganização ecológica e emancipação sociopolítica das mulheres rurais no Semiárido brasileiro.</p> <p><strong>Palavras-chave:</strong> Convivência semiárida; interseccionalidade; soberania alimentar; resiliência climática; agricultura familiar.</p>Francisca Aline de Oliveira TorresEliana Silva Gomes MouraThalyta Evans Barros MeloPedro Paulo da Cunha
Copyright (c) 2026 REVISTA FACULDADE FAMEN | REFFEN | ISSN 2675-0589
2026-06-032026-06-037231735610.36470/famen.2026.r7a18Literacia climática territorializada na Caatinga:
https://revistafamen.com.br/index.php/revistafamen/article/view/240
<p>A intensificação das mudanças climáticas tem ampliado os processos de desertificação, vulnerabilidade socioambiental e degradação ecológica na Caatinga, evidenciando limites das abordagens tradicionais de educação ambiental no semiárido brasileiro. Nesse contexto, o presente artigo objetiva analisar criticamente como a literatura científica fundamenta a transição da educação ambiental conservadora para uma perspectiva de literacia climática crítica territorializada nas escolas da Caatinga. Trata-se de uma revisão integrativa de natureza qualitativa, interpretativa e crítico-analítica, desenvolvida a partir de buscas realizadas entre novembro de 2025 e abril de 2026 nas bases Scopus, Web of Science, SciELO, Redalyc e Dialnet. Inicialmente, foram identificadas 1.269 referências, submetidas a procedimentos sistemáticos de triagem, elegibilidade e análise metodológica, resultando em um corpus final composto por 27 estudos. Os resultados evidenciaram predominância de pesquisas voltadas à desertificação, mudanças no uso do solo, vulnerabilidade climática e perda de biodiversidade, enquanto estudos sobre educação climática crítica ainda permanecem limitados. Além disso, observou-se crescente valorização de saberes territoriais, ciência cidadã, agroecologia e governança comunitária como estratégias de adaptação socioecológica. A discussão demonstrou que a literacia climática crítica exige superação do preservacionismo escolar e construção de pedagogias territorializadas, decoloniais e participativas. Conclui-se que a escola pode assumir papel estratégico na formação de sujeitos ecológicos capazes de articular justiça climática, adaptação territorial e resiliência socioambiental na Caatinga.</p> <p><strong>Palavras-chave:</strong> Semiárido; desertificação; governança hídrica; resiliência socioecológica; Educação decolonial.</p>Italo Alan Barbosa BispoPedro Paulo da CunhaMaria Miryam da Silva AlvesMatheus Honorato dos Santos Oliveira
Copyright (c) 2026 REVISTA FACULDADE FAMEN | REFFEN | ISSN 2675-0589
2026-06-032026-06-037235739310.36470/famen.2026.r7a19Escola-ecossistema e pedagogia bioclimática do semiárido:
https://revistafamen.com.br/index.php/revistafamen/article/view/251
<p>A permanência de modelos escolares industrializados em regiões semiáridas evidencia a dissociação histórica entre arquitetura educacional, territorialidade e experiência ecológica da aprendizagem. Em grande parte das escolas do Semiárido, ambientes termicamente inadequados, artificializados e desconectados da paisagem local continuam reproduzindo formas silenciosas de alienação territorial e empobrecimento sensorial. Este artigo teve como objetivo analisar como a literatura científica internacional fundamenta a transformação do espaço escolar em dispositivo cognitivo e ontológico por meio da biofilia, da cognição incorporada e da aprendizagem territorializada. Trata-se de uma Revisão Integrativa da literatura, desenvolvida entre novembro de 2025 e abril de 2026 em seis bases indexadoras internacionais e ibero-americanas. A busca inicial resultou em 657 referências, submetidas a procedimentos de triagem, elegibilidade e síntese qualitativa, culminando em um corpus final composto por 28 estudos. Os resultados demonstraram que estratégias biofílicas e arquiteturas climaticamente adaptadas favorecem conforto térmico, restauração atencional, bem-estar emocional, pertencimento ecológico e ampliação das experiências pedagógicas. A análise também revelou que a cognição emerge de interações corporais e ambientais, deslocando a compreensão da escola de infraestrutura passiva para ecossistema vivo de aprendizagem. A discussão permitiu formular os conceitos de Escola-Ecossistema e Pedagogia Bioclimática do Semiárido, compreendidos como perspectivas capazes de integrar arquitetura, território, corpo e aprendizagem em contextos ambientalmente vulneráveis. Conclui-se que escolas territorialmente contextualizadas possuem potencial para promover justiça climática, reconexão ontológica com a Caatinga e experiências educativas ecologicamente situadas.</p> <p><strong>Palavras-chave:</strong> Caatinga; currículo silencioso; Ecologia cognitiva; territorialidade; sustentabilidade educacional.</p>Francisca Aline de Oliveira TorresTatiane Lopes Ribeiro MenezesPedro Paulo da CunhaCláudio Alberto de Sá Quirino
Copyright (c) 2026 REVISTA FACULDADE FAMEN | REFFEN | ISSN 2675-0589
2026-06-032026-06-037239442410.36470/famen.2026.r7a20Educação contextualizada e futurismo sertanejo:
https://revistafamen.com.br/index.php/revistafamen/article/view/253
<p>O avanço das crises climáticas e o esgotamento da racionalidade desenvolvimentista moderna têm ampliado os debates sobre educação, sustentabilidade e justiça cognitiva em territórios historicamente marginalizados. Nesse contexto, o Semiárido brasileiro emerge como espaço estratégico para a compreensão de práticas ancestrais de convivência ecológica e pedagogias territorializadas. O objetivo deste estudo foi analisar como as ontologias e tecnologias ancestrais de gestão da vida das comunidades tradicionais do Semiárido vêm sendo incorporadas na literatura educacional para fundamentar propostas de educação contextualizada e sobrevivência civilizatória. Trata-se de uma Revisão Integrativa, qualitativa e teórico-conceitual, desenvolvida a partir de buscas realizadas entre novembro de 2025 e abril de 2026 nas bases Scopus, Web of Science, SciELO, Redalyc e BDTD. O levantamento inicial identificou 468 referências, das quais 30 compuseram o corpus final da investigação. Os resultados evidenciaram três categorias analíticas centrais: eco tecnologias da vida, cosmopercepções e ecosofias comunitárias, e currículos de Futurismo Sertanejo. Os estudos analisados demonstraram que os saberes quilombolas, indígenas, ribeirinhos e camponeses constituem racionalidades ecológicas e epistemológicas capazes de tensionar currículos universalizantes e modelos educacionais tecnocráticos. A discussão revelou que a ancestralidade pode ser compreendida como tecnologia de futuro orientada pela coexistência territorial, pela sustentabilidade da vida e pela justiça cognitiva. Conclui-se que o Semiárido não representa espaço de atraso civilizatório, mas território epistemológico capaz de oferecer fundamentos pedagógicos para enfrentar as crises ecológicas e ontológicas do século XXI.</p> <p><strong>Palavras-chave:</strong> Decolonialidade; justiça cognitiva; ecologias de saberes; territorialidade; currículos insurgentes.</p>Michael Douglas Alves dos SantosAfonso José Andrade DuarteTatiane Lopes Ribeiro MenezesPedro Paulo da Cunha
Copyright (c) 2026 REVISTA FACULDADE FAMEN | REFFEN | ISSN 2675-0589
2026-06-032026-06-037242545110.36470/famen.2026.r7a21