Pedagogia territorial do cuidado no semiárido brasileiro:
educação, saúde e vulnerabilidade no enfrentamento das endemias
DOI:
https://doi.org/10.36470/famen.2026.r7a11Palavras-chave:
Determinação social, resiliência sanitária, intersetorialidade, doenças negligenciadas, SemiáridoResumo
As endemias e doenças negligenciadas persistem como importantes desafios sanitários no semiárido brasileiro, especialmente em territórios marcados por pobreza, escassez hídrica, precariedade do saneamento e vulnerabilidade socioambiental. Nesse contexto, a articulação entre educação e saúde assume papel estratégico, embora frequentemente permaneça limitada a práticas preventivistas e biomédicas pouco conectadas às realidades territoriais das comunidades vulneráveis. O presente estudo teve como objetivo analisar criticamente como a literatura científica brasileira aborda a intersetorialidade entre educação e saúde no enfrentamento das endemias no semiárido. Trata-se de uma revisão integrativa, de abordagem qualitativa e natureza crítico-interpretativa, realizada entre novembro de 2025 e abril de 2026 nas bases PubMed, SciELO, LILACS, BVS e Educ@. A busca inicial identificou 927 referências, submetidas a procedimentos de triagem, elegibilidade e análise temática, resultando em um corpus final de 22 referências. Os resultados evidenciaram forte relação entre territorialização das doenças, desigualdade social e mudanças climáticas, além da permanência de práticas educativas verticalizadas centradas na responsabilização individual. Em contrapartida, alguns estudos apontaram experiências participativas e territorializadas, capazes de integrar saúde, ambiente, escola e comunidade. A discussão permitiu propor a categoria “Pedagogia Territorial do Cuidado”, compreendida como abordagem crítica voltada à construção da resiliência sanitária comunitária em contextos de vulnerabilidade. Conclui-se que o enfrentamento das endemias no semiárido exige políticas públicas integradas, territorializadas e comprometidas com práticas emancipatórias de cuidado.
Palavras-chave: Determinação social; resiliência sanitária; intersetorialidade; doenças negligenciadas; Semiárido.







