Justiça digital e o “hiato de permanência”:
exclusão conectiva e marginalização territorial na Caatinga brasileira
DOI:
https://doi.org/10.36470/famen.2026.r7a15Palavras-chave:
Ruralidades, necropolítica tecnológica, infraestrutura digital, Semiárido, permanência territorialResumo
A exclusão conectiva em áreas rurais da Caatinga brasileira tornou-se um dos principais desafios contemporâneos para a cidadania digital, a permanência educacional e o desenvolvimento territorial no semiárido. Embora o avanço das tecnologias digitais tenha ampliado a centralidade da conectividade na vida social, persistem desigualdades infraestruturais que mantêm populações rurais parcialmente excluídas das redes de informação, serviços e oportunidades. Este estudo teve como objetivo analisar como as barreiras estruturais de conectividade na Caatinga se relacionam à marginalização territorial e à fragilização da cidadania conectiva. Metodologicamente, desenvolveu-se uma revisão integrativa de literatura, realizada entre outubro de 2025 e abril de 2026, em bases nacionais e internacionais. Inicialmente, foram identificadas 720 referências, submetidas a procedimentos de triagem, elegibilidade e análise temática, resultando em um corpus final fechado de 23 estudos. Os resultados evidenciaram que a precariedade conectiva no semiárido está associada à concentração territorial dos investimentos, à insuficiência das políticas públicas universalizantes, às limitações do capital cultural digital e à sobreposição entre vulnerabilidade social e exclusão infraestrutural. A discussão permitiu consolidar os conceitos de “vazio conectivo”, “assimetria geográfica” e “hiato de permanência” como categorias analíticas capazes de explicar como a ausência de conectividade compromete projetos de vida, permanência territorial e participação cidadã das juventudes rurais. Conclui-se que a inclusão digital no semiárido exige políticas territorializadas, articuladas às especificidades sociotécnicas da Caatinga e orientadas pela perspectiva da justiça territorial.
Palavras-chave: Ruralidades; necropolítica tecnológica; infraestrutura digital; Semiárido; permanência territorial.







