A Caatinga como ecologia pedagógica:
epistemologias de resistência e currículos indígenas no Semiárido brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.36470/famen.2026.r7a16Palavras-chave:
Justiça cognitiva, interculturalidade crítica, territorialidade, ancestralidade, decolonialidadeResumo
A educação escolar indígena no semiárido brasileiro constitui um campo de disputa epistemológica marcado por tensões entre currículos estatais universalizantes e formas indígenas de produção do conhecimento. Nesse contexto, a persistência da colonialidade curricular contribui para o silenciamento de cosmologias territorializadas e para a deslegitimação de racionalidades ancestrais vinculadas à Caatinga. O presente estudo objetivou analisar como as produções científicas sobre educação indígena no semiárido brasileiro configuram epistemologias de resistência e tensionam os modelos pedagógicos ocidentais a partir de currículos diferenciados. Metodologicamente, desenvolveu-se uma revisão integrativa de abordagem qualitativa, realizada entre outubro de 2025 e abril de 2026, em bases nacionais e internacionais. A busca inicial identificou 495 referências, submetidas a procedimentos de triagem, leitura analítica e categorização epistemológica, resultando em um corpus final composto por 29 referências. Os resultados evidenciaram crescimento das pesquisas sobre educação indígena articuladas às categorias território, interculturalidade crítica, currículo-território e ecologia de saberes, embora persistam lacunas relacionadas à invisibilização de diversos povos indígenas do semiárido. Observou-se ainda que as experiências curriculares analisadas desafiam o universalismo pedagógico moderno ao integrar ancestralidade, oralidade, territorialidade e espiritualidade nos processos educativos. A discussão revelou que a Caatinga opera como ecologia pedagógica viva, na qual aprendizagem, memória coletiva e resistência epistemológica permanecem inseparáveis. Conclui-se que as pedagogias indígenas do semiárido oferecem importantes contribuições para a reconstrução crítica da educação brasileira, especialmente no fortalecimento da justiça cognitiva e da pluralidade epistemológica.
Palavras-chave: Justiça cognitiva; interculturalidade crítica; territorialidade; ancestralidade; decolonialidade.







