Clima e afeto:
sofrimento psicossocial discente, ecoansiedade e vulnerabilidade hídrica no Semiárido brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.36470/famen.2026.r7a17Palavras-chave:
Racismo ambiental, solastalgia, justiça climática, saúde mental escolar, territorialidadeResumo
A intensificação da emergência climática tem produzido impactos que ultrapassam dimensões ambientais e econômicas, alcançando a saúde mental, os vínculos territoriais e as experiências educacionais de crianças, adolescentes e jovens. No semiárido brasileiro, marcado por vulnerabilidade hídrica histórica e desigualdades socioambientais persistentes, tais efeitos tornam-se ainda mais severos, especialmente diante do racismo ambiental e dos deslocamentos associados à seca. O presente estudo objetivou analisar de que maneira a emergência climática e o êxodo forçado impactam o sofrimento psicossocial discente, bem como compreender como as instituições escolares têm respondido aos traumas decorrentes da insegurança hídrica e da precarização territorial. Metodologicamente, desenvolveu-se uma Revisão Integrativa de Literatura realizada entre outubro de 2025 e maio de 2026 em cinco bases indexadoras internacionais e latino-americanas. A busca inicial identificou 459 referências, submetidas a procedimentos de triagem, elegibilidade e análise crítica, culminando na composição de um corpus fechado de 29 referências. Os resultados evidenciaram crescimento recente das pesquisas sobre ecoansiedade e sofrimento climático juvenil, além da predominância de estudos desenvolvidos no Norte Global. Também foram identificadas relações entre insegurança hídrica, sofrimento emocional, migração climática, precarização escolar e invisibilização institucional do trauma climático. A discussão demonstrou que a crise climática opera como experiência territorialmente desigual, produzindo formas específicas de sofrimento em estudantes residentes em contextos semiáridos. Conclui-se que o enfrentamento da emergência climática exige abordagens educacionais ecossensíveis, justiça hídrica escolar e políticas de proteção psicossocial capazes de reconhecer a dimensão afetiva e territorial do sofrimento climático juvenil.
Palavras-chave: Racismo ambiental; solastalgia; justiça climática; saúde mental escolar; territorialidade.







