Gênero, terra e saber:
agroecologia feminista e educação territorializada no Semiárido brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.36470/famen.2026.r7a18Palavras-chave:
Convivência semiárida, interseccionalidade, soberania alimentar, resiliência climática, agricultura familiarResumo
Este artigo analisa como as intersecções entre gênero, trabalho, educação e território moldam as trajetórias das mulheres rurais no Semiárido brasileiro, problematizando as permanências patriarcais que estruturam o acesso à terra, à água, à produção e ao reconhecimento social do trabalho feminino. O objetivo central consiste em compreender de que maneira processos educativos formais e, sobretudo, não-formais contribuem para a construção da autonomia socioterritorial feminina na Caatinga. Metodologicamente, realizou-se uma Revisão Integrativa da Literatura, conduzida segundo protocolo sistemático de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão. A busca bibliográfica ocorreu entre dezembro de 2025 e maio de 2026 nas bases Scopus, Web of Science, SciELO Citation Index e Dialnet, resultando inicialmente em 1.170 referências. Após os procedimentos de seleção e refinamento analítico, consolidou-se um corpus fechado de 29 referências científicas. Os resultados demonstram que experiências de educação territorializada, aprendizagem horizontal, agroecologia feminista e organização comunitária possuem elevado potencial de enfrentamento das desigualdades patriarcais no Semiárido. Observou-se que mulheres rurais desempenham funções centrais na adaptação climática, na conservação da biodiversidade, na segurança alimentar e na produção de conhecimentos ecológicos territorializados. A discussão evidenciou limites das políticas públicas convencionais e problematizou modelos desenvolvimentistas dissociados das realidades socioterritoriais da Caatinga. Conclui-se que a agroecologia feminista e a educação não-formal constituem mecanismos estratégicos de reorganização ecológica e emancipação sociopolítica das mulheres rurais no Semiárido brasileiro.
Palavras-chave: Convivência semiárida; interseccionalidade; soberania alimentar; resiliência climática; agricultura familiar.







