Escola-ecossistema e pedagogia bioclimática do semiárido:
biofilia, cognição incorporada e aprendizagem territorializada
DOI:
https://doi.org/10.36470/famen.2026.r7a20Palavras-chave:
Caatinga, currículo silencioso, Ecologia cognitiva, territorialidade, sustentabilidade educacionalResumo
A permanência de modelos escolares industrializados em regiões semiáridas evidencia a dissociação histórica entre arquitetura educacional, territorialidade e experiência ecológica da aprendizagem. Em grande parte das escolas do Semiárido, ambientes termicamente inadequados, artificializados e desconectados da paisagem local continuam reproduzindo formas silenciosas de alienação territorial e empobrecimento sensorial. Este artigo teve como objetivo analisar como a literatura científica internacional fundamenta a transformação do espaço escolar em dispositivo cognitivo e ontológico por meio da biofilia, da cognição incorporada e da aprendizagem territorializada. Trata-se de uma Revisão Integrativa da literatura, desenvolvida entre novembro de 2025 e abril de 2026 em seis bases indexadoras internacionais e ibero-americanas. A busca inicial resultou em 657 referências, submetidas a procedimentos de triagem, elegibilidade e síntese qualitativa, culminando em um corpus final composto por 28 estudos. Os resultados demonstraram que estratégias biofílicas e arquiteturas climaticamente adaptadas favorecem conforto térmico, restauração atencional, bem-estar emocional, pertencimento ecológico e ampliação das experiências pedagógicas. A análise também revelou que a cognição emerge de interações corporais e ambientais, deslocando a compreensão da escola de infraestrutura passiva para ecossistema vivo de aprendizagem. A discussão permitiu formular os conceitos de Escola-Ecossistema e Pedagogia Bioclimática do Semiárido, compreendidos como perspectivas capazes de integrar arquitetura, território, corpo e aprendizagem em contextos ambientalmente vulneráveis. Conclui-se que escolas territorialmente contextualizadas possuem potencial para promover justiça climática, reconexão ontológica com a Caatinga e experiências educativas ecologicamente situadas.
Palavras-chave: Caatinga; currículo silencioso; Ecologia cognitiva; territorialidade; sustentabilidade educacional.







