Educação contextualizada e futurismo sertanejo:
ontologias ancestrais e sobrevivência planetária no Semiárido
DOI:
https://doi.org/10.36470/famen.2026.r7a21Palavras-chave:
Decolonialidade, justiça cognitiva, ecologias de saberes, territorialidade, currículos insurgentesResumo
O avanço das crises climáticas e o esgotamento da racionalidade desenvolvimentista moderna têm ampliado os debates sobre educação, sustentabilidade e justiça cognitiva em territórios historicamente marginalizados. Nesse contexto, o Semiárido brasileiro emerge como espaço estratégico para a compreensão de práticas ancestrais de convivência ecológica e pedagogias territorializadas. O objetivo deste estudo foi analisar como as ontologias e tecnologias ancestrais de gestão da vida das comunidades tradicionais do Semiárido vêm sendo incorporadas na literatura educacional para fundamentar propostas de educação contextualizada e sobrevivência civilizatória. Trata-se de uma Revisão Integrativa, qualitativa e teórico-conceitual, desenvolvida a partir de buscas realizadas entre novembro de 2025 e abril de 2026 nas bases Scopus, Web of Science, SciELO, Redalyc e BDTD. O levantamento inicial identificou 468 referências, das quais 30 compuseram o corpus final da investigação. Os resultados evidenciaram três categorias analíticas centrais: eco tecnologias da vida, cosmopercepções e ecosofias comunitárias, e currículos de Futurismo Sertanejo. Os estudos analisados demonstraram que os saberes quilombolas, indígenas, ribeirinhos e camponeses constituem racionalidades ecológicas e epistemológicas capazes de tensionar currículos universalizantes e modelos educacionais tecnocráticos. A discussão revelou que a ancestralidade pode ser compreendida como tecnologia de futuro orientada pela coexistência territorial, pela sustentabilidade da vida e pela justiça cognitiva. Conclui-se que o Semiárido não representa espaço de atraso civilizatório, mas território epistemológico capaz de oferecer fundamentos pedagógicos para enfrentar as crises ecológicas e ontológicas do século XXI.
Palavras-chave: Decolonialidade; justiça cognitiva; ecologias de saberes; territorialidade; currículos insurgentes.







